terça-feira, 2 de outubro de 2012

“Só nos restam duas opções: Morrer ou Envelhecer”




O envelhecimento pode ser compreendido como um processo natural onde se tem a diminuição progressiva da reserva funcional e orgânica do indivíduo. O declínio de várias funções do corpo em decorrência da idade não é usualmente considerado uma doença, chamamos de senescência. No entanto, face às condições de sobrecarga em decorrência de doenças, acidentes e estresse emocional, pode-se ocasionar uma condição patológica que requeira maiores cuidados assistenciais e isto a chamamos de senilidade.

O fenômeno envelhecer é natural e inerente a toda espécie e tem sido preocupação da chamada civilização contemporânea. Os idosos são tratados com respeito e atenção pela vasta experiência acumulada em seus anos de vida. A família é o Porto Seguro do idoso. Os familiares mais jovens declaram com orgulho os sacrifícios realizados pelos seus idosos em benefício da família, como a iniciação ao trabalho muito cedo com pouca instrução para o sustento e estudo dos filhos, demonstrando sempre alegria, festa e plenitude pela presença do idoso.

A cultura dessas sociedades tem como tradição cuidar bem, glorificar e reverenciar seus idosos, resultado de uma educação milenar de dignidade e respeito. Os japoneses consultam seus anciãos antes de qualquer grande decisão, por considerarem seus conselhos sábios e experientes.

Em outros grupos das sociedades antigas, o ancião sempre ocupava uma posição digna e era sinônimo de forte aspiração perante todos. Os idosos têm intensa atuação nas decisões importantes de seus grupos sociais, especialmente nos destinos políticos.

Na antiga China, o filósofo Confúcio ( que viveu entre os anos 551–479 a.C) já se apregoava que as famílias deveriam obedecer e respeitar ao individuo mais idoso.

Na tradição japonesa é festejado de forma solene o aniversário do idoso. No Japão, o Dia do Respeito ao Idoso (Keiro no hi) é comemorado desde 1947, na terceira segunda-feira de setembro, mas foi decretado como feriado nacional apenas em 1966. Trata-se de um feriado dedicado aos idosos, quando os japoneses oram pela longevidade dos mais velhos e os agradecem pelas contribuições feitas à sociedade ao longo de suas vidas. Não se pergunta a idade a uma mulher jovem, mas sim às mais idosas, que respondem com muito orgulho terem 70 ou 80 anos, ao contrário do que se passa na sociedade brasileira, em que a partir de certa idade não se deve perguntar a idade a uma senhora para não causar constrangimentos, como terem-se muitos anos de vida fosse um motivo de vergonha ou ter-se algo a esconder.
Na tradição japonesa, ao completar 60 anos, é permitido ao homem o uso de blazer vermelho, pois somente com seis décadas de vida há a liberdade de usar a cor dos deuses.
(No Brasil a cor vermelha é destinada para os mais jovens, à medida que os indivíduos envelhecem as cores destinadas são as mais claras, pálidas, sóbrias, tristes).
Na sociedade chinesa é comum se encontrar anciãos, com 90/100 anos, fazendo diariamente atividade física nos parques municipais.
Como podemos mudar esse quadro no Brasil?
Estreitar o relacionamento com as pessoas idosas próximas, ouvir e valorizar suas histórias de vida. Conhecer mais sobre os aspectos sociais, econômicos, étnicos, culturais, legais e biológicos do envelhecimento na sociedade brasileira e repensar as atitudes/valores quanto ao idoso.Desmistificar as causas de criação de mitos e falsos parâmetros a cerca da velhice no Brasil.Investir nas crianças de um aos três anos, momento da constituição da personalidade, propiciando a aproximação das mesmas aos idosos e que pelo exemplo de cuidado, atenção e respeito de seus pais a essas pessoas, as crianças poderiam internalizar esses valores/atitudes, apoiadas pelas escolas, igrejas e grupos sociais. Reconhecer a potencialidade laborativa dos idosos sua saúde, energia e criatividade.Favorecer a inclusão social do idoso promovendo o sentido da sua existência
Enfim, o envelhecimento deve ser visto como o alcance de certo patamar de desenvolvimento humano, indicado pela presença de papéis sociais e de comportamentos considerados como apropriados ao adulto mais velho, designando-lhe adjetivos como experiente, prudente, paciente, tolerante, ouvinte, e acima de tudo sábio.
Afinal, propagando estes conceitos de respeito e carinho pelo idoso, estaremos também preparando nosso bem estar e respeito que terão por nós no futuro de nossas senilidades. É uma espécie de previdência do respeito, pois só nos restarão duas opções em nossas vidas: Morrer ou Envelhecer. Optemos por envelhecer!

No mês em que é comemorado o Dia Nacional do Idoso (1º de outubro), eis algumas dicas de como chegar à melhor idade de forma saudável e sem preocupações. 

Saúde do idoso
A longevidade é, sem dúvida, um triunfo. Há tempos que a saúde foi definida como sendo o mais completo bem-estar, e não simplesmente a ausência de doenças. A saúde do idoso trouxe um novo paradigma quando associa saúde à capacidade de gerir a própria vida ou cuidar de si mesmo. Ter saúde no universo do idoso está relacionado à autonomia e à capacidade funcional. O idoso é considerado saudável quando é capaz de funcionar sozinho, independente da presença ou não de doenças.
Diante dessa nova realidade, é necessário uma mudança de atitude da sociedade para com os idosos, em uma abordagem que reconhece seus direitos à igualdade de oportunidades e de tratamento em todos os aspectos da vida à medida que envelhecem. Envelhecer de forma saudável pressupõe viver com qualidade de vida, ou seja, manter hábitos sadios, cuidados com o corpo, atenção com os relacionamentos, balanço entre vida pessoal e profissional, tempo para lazer e saúde espiritual. Confira abaixo dicas para chegar bem à maturidade:
•Alimente-se bem. O principio básico da boa saúde é a alimentação;
•Mexa-se! Pratique exercícios físicos;
•Gerencie seus estresses equilibrando trabalho e lazer;
•Buscar satisfação nas coisas simples que trazem bem-estar é uma ótima contribuição para a saúde;
•Mantenha o equilíbrio emocional. O grande segredo da qualidade de vida está no emocional.

Luiz Lopes Filho, 02 de outubro de 2012
(dicas extraídas da Camed Saúde)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

DOZE CONSELHOS PARA VOCÊ NÃO TER UM INFARTO

DOZE CONSELHOS PARA VOCÊ NÃO TER UM INFARTO

Muitas vezes recebemos conselhos, mensagens e, simplesmente as desprezamos pelo simples fato de acharmos que não necessitamos de tais alertas. Descendendo da família Lopes-Calixto, contabilizei muitos infartos que se iniciaram em meu avô paterno o Sr José Calixto até meu últimos tios a partirem, os tios Marmiro e Silva. Meu pai, também safenado e com marcapasso, vem driblando os efeitos de sua patologia cardíaca com dieta e uma mão cheia de remédios que diariamente toma.

Muitas vezes esquecemos as dietas e deixamos que a vontade sobreponha-se sobre nossa saúde, ora exagerando no trabalho, ora se estressando no trânsito, ora degustando um torresmo crocante. Mas isto deve ser acompanhado de determinados cuidados. O Dr Ernesto Artur, cardiologista publicou em seu site alguns conselhos que ora compartilho com meus leitores para que evitemos imprevistos em nossa melhor máquina, nosso coração:


1. Não cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são prioritárias;
 
2. Não trabalhe aos sábados o dia inteiro e, de maneira nenhuma, trabalhe aos domingos;
 
3. Não permaneça no escritório à noite e não leve trabalho para casa e/ou trabalhe até tarde;
 
4. Ao invés de dizer "sim"a tudo que lhe solicitarem, aprenda a dizer "não";
 
5. Não procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias, conselhos e nem aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões, simpósios etc;
 
6. Se dê ao luxo de um café da manhã ou de uma refeição tranquila. Não aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes;
 
7. Pratique esportes. Faça ginástica, natação, caminhe, pesque, jogue bola ou tênis;
 
8. Tire férias sempre que puder, você precisa disso. Lembre-se que você não é de ferro;

9. Não centralize todo o trabalho em você, não é preciso controlar e examinar tudo para ver se está dando certo... Aprenda a delegar.
10. Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego e pintar aquela dor de estômago, não tome logo remédios, estimulantes, energéticos e anti-ácidos. Procure um médico;
 
11. Não tome calmantes e sedativos de todos os tipos para dormir. Apesar deles agirem rápido e serem baratos, o uso contínuo fazem mal à saúde;
 
12. E por último, o mais importante: permita-se a ter momentos de oração, meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida. Isto não é só para crédulos e tolos sensíveis; faz bem à vida e à saúde.



IMPORTANTE:

OS ATAQUES DE CORAÇÃO


Uma nota importante sobre os ataques cardíacos.

Há outros sintomas de ataques cardíacos, além da dor no braço esquerdo. Há também, como sintomas vulgares, uma dor intensa no queixo, assim como náuseas e suores abundantes.

Pode-se não sentir nunca uma primeira dor no peito, durante um ataque cardíaco. 60% das pessoas que tiveram um ataque cardíaco enquanto dormiam, não se levantaram. Mas a dor no peito, pode acordá-lo de um sono profundo.

Se assim for, dissolva imediatamente duas Aspirinas na boca e engula-as com um bocadinho de água. Ligue para Emergência (192, 193 ou 190) e diga ''ataque cardíaco'' e que tomou 2 Aspirinas. Sente-se numa cadeira ou sofá e force uma tosse, sim forçar a tosse, pois ela fará o coração pegar no tranco; tussa de dois em dois segundos, até chegar o socorro. NÃO SE DEITE !!!!

Luiz Lopes Filho,
Fortaleza, 01 de outubro de 2012


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Sustentabilidade

Novos Tempos

Hoje o 42º Presidente dos Estados Unidos, Mr Bill Clinton, falou durante 40 minutos para um público de dois mil convidados no ginásio de esportes da Universidade de Fortaleza na manhã desta segunda-feira. Na primeira vez na capital cearense, o norte-americano ministrou uma palestra sobre sustentabilidade e desenvolvimento global para políticos, empresários, professores e estudantes. O mundo todo precisa melhorar sua sustentabilidade sem prejuízo ao meio-ambiente e este foi o teor de sua palestra, denotando a preocupação mundial pelo crescimento sadio que brota numa pequena comunidade e repercute numa grande nação.

Ano passado escrevi algo sobre esta tal sustentabilidade, teci comentários sobre produtos fabricados em nosso município. Descobri que havia um produto genuinamente reriutabense. Era rotulada de Revoltosa, uma aguardente de cana-de-açúcar fabricada e engarrafada pelo Sr José Vale no sítio Bananeiras. Fiquei feliz ao rever que minha terra naquela época tinha uma indústria, apesar de ser uma pequena fábrica de um produto agrícola, sem tanta tecnologia.


Na minha infância presenciei muitos caminhões carregados de cera-de-carnaúba, castanhas-de-caju, oiticica, algodão e chapéus de palha, fazendo o percurso de exportação. Os trens também eram uma via de escoamento presente.

Atualmente o percurso é de importação: os supermercados de maior porte recebem de fora gêneros alimentícios diversos, produtos industrializados dos grandes centros nacionais e, pasmem: trazem até ovos de granja para as pequenas cidades. Quase nada se produz, quase tudo que se consome em nossas cidades vem dos grandes centros.

O município, quase totalmente dependente de verbas federais, vê-se sacrificado com uma alta folha de pagamentos e o investimento em melhorias públicas só acontece porque o prefeito tem bom trânsito com o governo estadual, permitindo verbas para pavimentação, construção de cisternas, manutenção da saúde básica, dentre outras melhorias.

 Quando vejo aproximarem-se os tempos de eleição, antecipo-me sobre os fatos que se repetirão no dia-a-dia de qualquer cidade pobre do sertão nordestino. Compra de votos, promessas, intrigas, pseudo-amizades, calúnia... e tudo mais que se puder utilizar de ferramentas para se galgar os poderes executivo e legislativo municipais. Até promessas  impossíveis de serem cumpridas.

Sobre estes fatos, não faço alusão nem me refiro somente à minha cidade, mas a quase todas as cidades brasileiras e, em especial, àquelas que dependem praticamente de tudo do poder público, principalmente de empregos.

Para isto, tem-se uma solução: a sustentabilidade econômica do município por sua vocação agropecuária ou industrial. Tem que se oferecer incentivos fiscais para que a iniciativa privada e as instituições de fomento instalem indústrias nestas cidades. Assim, o governo municipal irá administrar sua cidade sem o peso da folha de pagamentos e com uma população menos pobre, com maior geração de empregos e renda.

Vamos acreditar num novo tempo que se avizinha, numa proposta realista e que se baliza na verdade sem amarras com o passado; e aí concretizar-se-ão obras como construção de casas populares e saneamento básico que implicará na melhoria das condições de saúde do povo; na implantação de indústrias de calçados, de beneficiamento de frutas e de tudo o que se puder instalar em prol do desenvolvimento auto-sustentável de nossa cidade.


Luiz Lopes Filho,
Fortaleza-CE, 27/08/2012

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Partiu quem tanto partiu

Partiu quem tanto partiu

Hoje partiu quem tanto ontem partiu. Um saudoso pleonasmo de quem vivenciou os trens de passageiros numa breve parada na estação de Reriutaba.
A expressão “partiu o trem”  significava badalar o sino para o trem partir e é diferente daquela que se diz que “o trem partiu”, o trem foi embora.
Quem partiu o trem foi o Seu Saldanha quando ía para a plataforma da estação, erguia o braço e puxava o badalo do sino, anunciando a proximidade da chegada do horário ao cruzar a Ponte do Sarapó ou dando ordem para o trem partir, iniciando sua força máxima para romper a inclinação maior da rampa que se iniciava um pouco mais à frente da estação.
Eis o trocadilho que só percebe quem sofreu ou se alegrou ao ouvir o apito do trem, avisando a todos de sua chegada ou de sua partida.
Nós reriutabenses, aqueles nascidos até a década de 70, lembramos muito bem o Seu Saldanha com zelo pelas crianças e mais idosos, afastando-os da beira da plataforma. Ora, quantas pessoas não resmungavam com raiva daquele cuidadoso agente ferroviário, confundindo seus cuidados com antipatia.
Hoje reconheço o valor do velho agente que fez parte da minha infância e de tantos conterrâneos que vivenciaram e que fizeram uso do tão valioso e único transporte da época.
Hoje partiu no trem para a eternidade o Seu José Milcíades Moreira, conhecido quase somente como Seu Saldanha. Sua partida pode ter o mesmo contexto saudoso para a família e para amigos, mas para Seu Saldanha creio que foi uma viagem feliz, pois seu destino ser-lhe-á digno.
Esposo de Dona Rocilda e pai de nove filhos. Todos de boa índole e simpáticos como nosso saudoso agente da estação de Reriutaba, eis seu legado além de tantos favores prestados nos tempos de outrora.
Mas, Seu Saldanha não é recordado por mim como somente um agente da estação ferroviária que “partia o trem”, mas também como aquele que nos ajudava a conseguir uma poltrona no Sonho Azul, um vagão mais confortável;  como aquele que guardava no almoxarifado da estação as caixas com mercadorias da loja de meu pai;  como aquele que guardou com zelo minha primeira bicicleta que meu pai trouxe no Natal para presentear-me.
Seu Saldanha foi também uma pessoa que sabia viver. Amigo de meu pai e também nato folião carnavalesco, costumava ir lá para casa tomar umas cervejas com meu pai juntamente com os companheiros Luís Castro, Cumpade Otávio Mororó, Murilo Macedo, Adjemir Castro, Chagas Vieira, dentre outros.
Lembrei-me bem hoje quando pelos idos de 1976 no Sábado Gordo de carnaval gostava de cantar “Morte do Peru” do famoso cantor Pinduca. Eis a letra que resgatei do lobo temporal de meu cérebro.
"Mataram o meu peru
Eu não fui
Não sei quem foi
Eu também
Se eu encontrar
O matador
Vou me vingar
O meu peru
Era de raça
Meu peru
De estimação
Meu peru
Adeus peru
Meu peru do coração"
Há muitas causos de Seu Saldanha. Como aquela do “Arrozinho molhado”. Mas esta somente vai lembrar quem lhe é mais próximo e deixo para cada um rir saudosamente do nosso amigo Saldanha.

Fortaleza-CE, 21 de agosto de 2012
Luiz Lopes Filho, amigo de Seu Saldanha

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Nossa Padroeira

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

 

 

Desde crianças sabemos que Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é nossa padroeira e a data tão aguardada todos os anos, reúne reriutabenses espalhados por todo país. 

Dia 15 de agosto! Sempre pensei que fosse este o Dia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, mas a padroeira também dos Redentoristas e de tantas outras cidades no mundo é celebrada na realidade no dia 27 de junho.

Agosto, apesar de ser um mês que substituía as férias e me chamava de volta para Fortaleza numa melancolia de arranhar a alma, nunca deixou de ser para mim um período festivo e alegre. Um dos motivos era a comemoração de nossa padroeira e outro era meu aniversário.  O tempo vai passando, a infância se foi, a juventude já está se despedindo e hoje a maturidade já me concede algumas cãs. Ficou a alegria somente da Festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, pois sei que meu aniversário vai me tirar mais um ano de vida. Pensamento um pouco míope, pois temos na realidade que agradecer mais um ano que Ele nos presenteou.

Mais uma vez estarei indo à minha Reriutaba, sentir o cheiro de minha velha casa, sentir como o papai se alegra no seu cantinho, ouvir o barulho da máquina de costura com minha mãe ensinando as netas esta arte, comer uma galinha a cabidela, enfim viver um pouco o presente com gosto do passado. E então sair sem preocupação a conversar com os amigos, passear na calçada da pracinha e, agora sim, poder a assistir a uma saudável missa celebrada por um pároco competente e humilde como um bom pastor que bem cuida de suas ovelhas.

Hoje lembrei-me dos vendedores que costumavam a animar o universo das crianças na festa de nossa padroeira: era D. Vilina com suas cocadas, as roscas que eram vendidas no Seu Manel Sinhô, a banca do Manel da Nana, os aluás que se vendiam nas esquinas do mercado e a forte voz do seu Chico Rozendo, o leiloeiro oficial nas festas de agosto. Voz rouca, magro, pele escura e atencioso, estava sempre a apresentar alguma galinha, um carneiro, um bolo ou uma lata de doce de leite presenteada à paróquia pelas famílias reriutabenses. Meu último arremate foi dedicado a meu dileto e saudoso amigo Raimundo Paiva.
Ah, não podemos esquecer a banda de música que descia pela rua 25 de Setembro e percorria a rua José Edmilson Aguiar em direção à Igreja, tudo sob a coordenação do maestro Marçal.

E assim é a festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: momento de orar, mas também de confraternizar com os amigos que se ausentam por todo o ano.

Busquei saber mais sobre Nossa Padroeira e repasso a vocês um pouco da história e devoção à nossa Santa:

A devoção à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro nasceu de um ícone milagroso, roubado de uma igreja, na ilha de Creta, Grécia, no século XV. Trata-se de uma pintura sobre madeira, de estilo bizantino, através do qual o artista, sabendo que a verdadeira feição e a santidade de Maria e de Jesus jamais poderão ser retratadas só com mãos humanas, expressa a sua beleza e a sua mensagem em símbolos.

Nesse quadro a Virgem Maria foi representada a meio corpo, segurando o Menino Jesus nos braços. O Menino segura forte a mão da Mãe e observa assustado, dois anjos que lhe mostram os elementos de sua Paixão. São os Arcanjos Gabriel e Miguel que flutuam acima dos ombros de Maria. A belíssima obra é atribuída ao grande artista grego Andréas Ritzos daquele século e pode ter sido uma das cópias do quadro da Virgem pintado por São Lucas, segundo os peritos.

Diz a tradição que no século XV, um rico comerciante se apropriou do ícone para vendê-lo em Roma. Durante a travessia do Mediterrâneo, uma tempestade quase fez o navio naufragar. Uma vez em terra firme, foi para a Cidade Eterna tentar negociar o quadro. Depois de várias tentativas frustradas, acabou adoecendo. Procurou um amigo para ajuda-lo, mas logo faleceu. Antes, porém contou sobre o ícone e lhe pediu para leva-lo à uma igreja, para ser venerado outra vez pelos fiéis. A esposa do amigo não quis se desfazer da imagem. Após ficar viúva, a Virgem Maria apareceu à sua filha e lhe disse para colocar o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro numa igreja, entre as basílicas de Santa Maria Maior e São João Latrão. Segundo a menina, o título foi citado pela Virgem sem nenhuma recomendação.

O ícone foi entronizado na igreja de São Mateus, no dia 27 de março de 1499, onde permaneceu nos três séculos seguintes. A notícia se espalhou e a devoção à Virgem do Perpétuo Socorro se propagou entre os fiéis. Em 1739, eram os agostinianos irlandeses exilados do seu país, os responsáveis dessa igreja e do convento anexo, no qual funcionava o centro de formação da sua Província, em Roma. Alí, todos encontravam paz sob a devoção de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.


Três décadas depois os agostinianos irlandeses foram designados para a igreja de Santa Maria em Posterula, também em Roma, e para lá também seguiu o quadro da "Virgem de São Mateus". Mas alí já se venerava Nossa Senhora da Graça. O ícone foi colocado na capela interna e acabou quase esquecido. Isto só não ocorreu, por causa da devoção de um agostiniano remanescente do antigo convento.

Mais tarde, já idoso,  ele quis cuidar para a devoção de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro não ser esquecida e contou a história do ícone milagroso à um jovem coroinha. Dois anos depois de sua morte, em 1855, os padres redentoristas compraram uma propriedade em Roma, para estabelecer a Casa Generalícia da Congregação fundada por Santo Afonso de Ligório. Mas não sabiam que aquele terreno era da antiga Igreja de São Mateus, escolhida pela própria Virgem para seu santuário. No final desse ano, aquele jovem coroinha ingressou com a primeira turma do noviciado.

Em 1863, já padre, ajudou os redentoristas a localizarem o ícone de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, depois da descoberta oficial dessa devoção nos livros antigos da igreja de São Mateus. O quadro entregue pelo próprio Papa Pio I, com a especial recomendação: "Fazei que todo o mundo A conheça".  O quadro  foi entronizado no altar-mor do seu atual santuário, em 1866. Outras cópias seguiram com esses missionários para a divulgação da devoção a partir das novas províncias instaladas por todo o mundo. Nossa Senhora do Perétuo Socorro foi declarada Padroeira dos Redentoristas, sendo celebrada no dia 27 de junho.

Luiz Lopes Filho, 10 de agosto de 2012

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Trem da Vida

Trem da Vida



Há meninos do interior chamados de beradeiros que significa bem mais que morar na beira de estrada, acrescenta também sua situação de matutos. Sempre morei na beira de estrada....de ferro: fui também um menino beradeiro. Em certas madrugadas acordava-me com o barulho do trem cargueiro que fazia o percurso Teresina-Fortaleza, levando combustíveis e trazendo semente de oiticica, de algodão e diversas mercadorias. O ranger das rodas nas bordas dos trilhos acordava-me às duas da manhã, mas também me fazia adormecer como se o trem fosse o arco a escorregar pelas cordas de um violino de ferro, soando uma canção mal composta.


Vejo-me sempre a incluir uma estação, um vagão ou uma locomotiva em meus textos, talvez por este comboio sempre ter vivido a meu lado, ora indo, ora voltando. Seja quando meu pai viajava para Fortaleza e eu ficava esperando o trem trazê-lo de volta com muitas novidades e presentes; seja quando minha mãe voltava de uma viagem a Sobral; seja quando tive que deixar minha terra para estudar na capital.

O trem sempre foi um condutor de minhas alegrias e de minhas saudades. E também de minhas dores de barriga. Ainda criança, sob a tutela de seu Firmino, ao término das férias, tinha que retornar à Fortaleza e, no pequeno percurso de minha casa à estação, carregava sempre uma mala e uma dor de barriga, fruto do somatismo da saudade e da ansiedade. Este mal estar só diminuía quando já embarcado, acenava para meus pais e encarava a volta como uma tarefa, uma obrigação natural.

Li um dia desses um texto sobre um trem que ligava nossa vida a uma viagem, numa analogia quase perfeita, porém um pouco laica ou pelo menos desprovida de uma fé mais intensa no Criador.  E a viagem é mais ou menos assim descrita pelo Trem da Vida: 


Quando nascemos, entramos nesse trem

e nos deparamos com algumas pessoas que julgamos,
estarão sempre nessa viagem conosco; nossos pais.
Infelizmente, isso não é verdade.
Em alguma estação eles descerão e nos deixarão
órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituível..ou também tenhamos que descer antes deles e deixá-los com uma imensa ferida de saudades.
Mas isso não impede que, durante a viagem, pessoas interessantes
e que virão a ser super especiais para nós, embarquem.
Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos!
Muitas pessoas tomam esse trem, apenas a passeio.
Outros encontram nessa viagem, somente tristezas.
Ainda outros circularão pelo trem,
prontos para ajudar a quem precisa.


Muitos descem e deixam saudades eternas,
outros tantos passam por ele de uma forma que,
quando desocupam seu acento, ninguém nem sequer percebe.
Curioso é constatar que alguns passageiros, que nos são tão caros,
acomodam-se em vagões diferentes dos nossos.
Portanto, somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles,
o que não impede, é claro, que durante o trajeto, atravessemos
com grande dificuldade nosso vagão e cheguemos até eles...
Só que, infelizmente, jamais poderemos sentar a seu lado,
pois já terá alguém ocupando esse lugar.
Não importa, é assim a viagem: cheia de atropelos,
sonhos, fantasias, esperas, despedidas...
Porém, jamais retornos.

Façamos essa viagem então, da melhor maneira possível,
tentando nos relacionar bem com todos os passageiros,
procurando em cada um deles o que tiverem de melhor.
Lembrando sempre que, em algum momento do trajeto,
eles poderão fraquejar e provavelmente
precisaremos entender isso, porque nós também
fraquejaremos muitas vezes e, com certeza,
haverá alguém que nos entenderá.
O grande mistério afinal é que jamais
saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros,
nem aquele que está sentado ao nosso lado.

Eu fico pensando, se quando descer desse trem,
sentirei saudades... Tenho certeza que sim:
Separar-me de alguns amigos que fiz nessa viagem;
Deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos.
Mas me agarro na esperança de que, em algum momento,
estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar
com uma bagagem que não tinham quando embarcaram...
E o que vai deixar-me feliz será pensar
que eu colaborei para isso.


Luiz Lopes Filho, 
Fortaleza-CE, 09/07/2012

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Viver ou Juntar Dinheiro?

Viver ou Juntar Dinheiro?


Max Gehringer 

Vocês conhecem o Max? Aquele rapaz que começou como Office-boy  em Jundiaí-SP e se tornou um administrador de empresas e escritor sobre gestão empresarial? Gehringer, sempre simpático nas telas de jornais como CBN e Globo vive a percorrer o país proferindo conferências sobre economia, gestão empresarial e, logicamente sobre gestão de nossas vidas. Os intelectuais, os acadêmicos, mestrandos e o público em geral tem muita admiração pela forma de sua abordagem em certos temas de nosso dia-a-dia.

Lendo sobre um destes, resolvi compartilhar com meus leitores e, principalmente com meus pais. Outro dia, fui cercado por suas indagações carregadas de preocupações próprias de qualquer boa mãe: - Meu filho, vejo sempre você em restaurantes; como vai suas economias? Meu filho, você tem sido previdente? ...E assim por diante. Que bom e quão gratificante a gente ainda ter o privilégio de receber tais conselhos. E o pior é que a gente se irrita: não sei se com as redes sociais que nos delatam onde estamos e o que estamos fazendo ou se com o sadio zelo de nossos pais. Bom, segue então o texto do Max:

Recebi uma mensagem muito interessante de um ouvinte da CBN e peço licença para lê-la na íntegra, porque ela nem precisa dos meus comentários.
Lá vai: "Prezado Max, meu nome é Sérgio, tenho 61 anos e pertenço a uma geração azarada: Quando era jovem as pessoas diziam para escutar os mais velhos, que eram mais sábios. Agora dizem que tenho que escutar os jovens, porque são mais inteligentes.
Na semana passada li numa revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. E eu aprendi muita coisa... Aprendi, por exemplo, que se eu tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, durante os últimos 40 anos, eu teria economizado R$ 30.000,00. Se eu tivesse deixado de comer uma pizza por mês, teria economizado R$ 12.000,00 e assim por diante. Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas, então descobri, para minha surpresa, que hoje eu poderia estar milionário.
Bastava não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas das viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei e, principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis. Ao concluir os cálculos, percebi que hoje eu poderia ter quase R$ 500.000,00 na conta bancária. É claro que eu não tenho este dinheiro. Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer? Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar com itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que eu quisesse e tomar cafezinhos à vontade. Por isso acho que me sinto absolutamente feliz em ser pobre.
Gastei meu dinheiro com prazer e por prazer, porque hoje, aos 61 anos, não tenho mais o mesmo pique de jovem, nem a mesma saúde. Portanto, viajar, comer pizzas e cafés, não faz bem na minha idade e roupas, hoje, não vão melhorar muito o meu visual!
Recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que eu fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com um monte de dinheiro em suas contas bancárias, mas sem ter vivido a vida".
"Não eduque o seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz.
Assim, ele saberá o valor das coisas, não o seu preço."