sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Sorriso Caro


Toda semana percorro a Av Duque de Caxias em direção ao centro da cidade.
Quando não há motivação maior, sempre arrumo uma desculpa: vou cortar meu cabelo. 
E assim estaciono meu carro e vou ao salão Presidente, o último dos sobreviventes doutrora de inúmeras barbearias no coração da cidade: Lord, Rex, Imperial e tantas que aguardavam seus fiéis fregueses de barba, cabelo e bigode.
Nesta semana, mostrei uma foto de meu pai com a barba tirada.
Gilberto, barbeiro que também atendia a meu pai quando este ainda me acompanhava nesta agradável tarefa semanal, contou-me:
-Doutor, sempre me lembro de umas de seu pai!
Certa vez ele chegou aqui e reclamou: Oh coisa ruim é a velhice, Gilberto!
-Por que, seu Luiz?
-Ora, caminhava ali pela Praça do Ferreira, quando parei e fiquei admirando uma moça nova, bonita!
-Fez bem! E o que aconteceu?
-Ela veio em minha direção e me pediu 20 reais! Sem vê nem quê!
E eu não tinha feito nada com ela! Apenas olhei rapidamente!
Então eu lhe disse:
-Minha filha, você é muito cara! Se um olhar custa 20 reais, imagine outras coisas!


sábado, 15 de outubro de 2016

Você, amigo está acabado!

Não vou fazer prólogo sobre este assunto. Mas, lembro-me de um fato cômico.
Meu pai estava abstraído no seu comércio. Era mês de agosto. Mês de revoadas das andorinhas e dos conterrâneos que voltavam para Reriutaba na festa da padroeira!
E então o sujeito, esguio e vaidoso, parou e adentrou à loja de meu pai!
- Oi, Lulu! É tu mesmo?!
- Sou, sou o Lulu!
-  Pôxa,"véi" tu tá muito "véi"
Meu pai, calou-se, serenou e olhou para o carioca!
- Tudo bem!
O Fluminense feliz de se achar o tal, querendo se sobrepor a seu contemporâneo, perguntou:
-Pô, Lulu, tu esxtais "velhão" , acabado!
- "Quantosx anossx tu têinsx, Lulu?!
E Então, meu pai, terminando de concluir um livro de escrita e contabilidade, parou e disse!
- Tenho 82 anos (meu pai tinha somente 65!)
E então seu velho conhecido disse:
-Pô, Lulu, tais conservado! Estou "phudido"!
Estou achando que tu estais novo! Estou achando! E, dobrou a esquina triste, deprimido e moribundo!
Papai quase morre de rir!
E aqui começo meu crivo literário:
Não deixemos de nos encontrar com nossos amigos, com nossos primos! com nossos tios!
Não deixemos que a coisa mais deplorável de nossas vidas nos atormente: o Ente vazio e silencioso chamado Velhice ou Idade ou Tempo! Seja lá o que for, aquilo que nos tira a vida paulatinamente.
Visitemos e façamos um happy hour com nossos amigos sempre que possamos.
Pois se demorarmos, quando nos encontrarmos, parecerermo-no-emos bem velhos!
Deixemos que a velhice, a idade, a vida avise-nos diariamente que estejamos novos!
Quando demoramos a nos encontrar, o susto nos aterroriza!
A palavra é pesada, mas é verdade!
Encontrei-me há pouco com meu amigo e dileto colega engenheiro Pontinho.
Cara competente e de índole ímpar. Como achei-o senil! Desculpe-me, amigo!
Sei que também assim estou!
Desculpe-me por lhe escolher como protagonista para este relato, mas poderia ser o Henrique Catiureba, o Manim, o Jefferson, o Ary, o Artur, o Adalberto e, porque não eu?.
Mas a vida é assim! Você se encontra com um velho amigo e o acha acabado, velho e mal tratado!
Mal você sabe que assim, desta forma é que ele está lhe vendo. Efeito espelho!
Continuemos nessa vida que penso: tem sentido??
Sempre seremos mais velhos quanto mais tempo deixemos de nos encontrar!

terça-feira, 27 de setembro de 2016

A CURIOSA HISTÓRIA DO GALLO NERO



O Gallo Nero é a chancela que qualifica os vinhos da região de Chianti. Exposto nas garrafas, o vinho que leva esse selo recebe um certificado de qualidade. Durante a minha viagem pela região, tive a curiosidade de conhecer a história que gira entorno desse galo.

A antiga lenda teve origem no século XII, época das épicas lutas medievais entre as cidades de Florença e Siena que disputavam a região do Chianti.
Senesi e Fiorentini, donos das regiões litigiosoas, resolveram a questão de uma forma muito curiosa e, de certa forma, engraçada. Decidiram disputar os limites das cidades através de uma prova inédita e amistosa entre dois cavalheiros, onde cada um usaria as cores referentes à sua cidade.
Para a amigável disputa, cada cavaleiro partiria de sua cidade ao cantar do galo e a fronteira de Florença e Siena seria definida quando os dois cavalheiros se  encontrassem no meio do caminho entre as duas cidades.  Ou seja, aquele que mais corresse aumentaria sua terra.
Na véspera da corrida, o Siena escolheu um galo branco e Florença um galo preto. Siena, a fim de deixar o seu galo mais feliz e nutrido, encheu seu papo de comida, pois imaginava que bem alimentado, o galo branco iria cantar antes que o outro. Já Florença não alimentou seu atleta.
No dia da disputa, o galo negro de Florença, desesperado de fome, começou a cantar antes do sol nascer, enquanto o galo branco de Siena ainda dormia de papo cheio.
Os cavalheiros partiriam cada um do portão de sua cidade. O cavaleiro de Florença começou o galope com o canto do galo preto, enquanto o cavaleiro de Siena teve que esperar muito tempo até que o galo branco com azia e empanzinado de comida, tivesse coragem de abrir o bico.

Região de Fonterutoli

Os dois cavaleiros se encontraram a apenas 12 km dos muros de Siena, no município de Castellina, local que passou a ser chamado Croce fiorentina, e assim a República de Florença conquistou uma grande parte da região de Chianti através de uma disputa pacífica.
O acordo entre as cidades foi honrado e as fronteiras das duas ficou sendo ali mesmo, no local de encontro dos cavalheiros. Quase todo o território entre Florença e Siena ficou sob o domínio da República Florentina. Hoje, a região é responsável peça produção dos famosos vinhos Chianti que recebem o selo do Gallo Nero, que são fabricados com rígido processo, qualificando-o pela superioridade.
A história que emoldurou a lenda do galo Nero revela uma sabedoria enorme e prova que nem sempre uma disputa precisa ser marcada por sangue e morte.  Quanto ao galo branco, deve ter sido servido no banquete da vitória de Florença.
Mas, por que me lembrei desta história? Ora, meu pai hoje descansando em casa gosta de conversar comigo sobre muitos assuntos e, de preferência, aqueles que lembram sua juventude e nossa terra.
Até 1984 o distrito de Varjota, então Araras pertencia ao município de Reriutaba, nossa cidade natal.
Meu pai sempre gostava de elencar o assunto: “ Araras passou de Reriutaba”, "o comércio de lá é mais desenvolvido, a feira é maior e o dinheiro vai mais para lá do que para cá!"
E daí, enveredava a dizer que o povo do Araras é mais trabalhador, o de Reriutaba mais acomodado. Não queria de forma alguma minimizar-nos. Apenas achava que o povo de Reriutaba era mais família, enquanto o do Araras era mais comércio. O Luiz Castro, seu velho amigo de infância era o prefeito àquela época do projeto de emancipação do Araras (atual Varjota) e, juntamente como outros líderes locais não fizeram muita questão em aumentar o limite de Reriutaba, pois entendiam que a parte mais valiosa do município era o pé-de-serra e não a futura área irrigada do Araras-Norte. Enquanto os políticos e líderes do Araras, capitaneados pelo Gentil Pires, Neto e Pio foram mais florentinos. Tanto é que o limite entre os municípios de Varjota e Reriutaba fica tão somente a cerca de 3km de Reriutaba e a 9km de Varjota. O galo do Araras correu mais cedo.
Esta resenha não mitiga o legado político de nossos líderes de então. Mas, este fato é apenas uma analogia pontual de limites territoriais. As duas cidades são irmãs e as comunidades vivem em pacífica harmonia.
Luiz Lopes Filho,
Fortaleza, 28/09/2016




terça-feira, 24 de novembro de 2015

O Desapego


O Desapego

Em nossa vida, vamos acumulando tantas coisas, e não só lembrança não, é "troçalheira"  mesmo. O apego, embora se revele como ambição do prazer pelo ter, nem sempre pode ser julgado desta maneira. O que ele representa para mim é saudosismo! É identificar certos objetos, não pelo valor econômico, mas pelo apego afetivo. Instrumento de um trabalho que me dava prazer, como segurar uma máquina de costura, ou ainda tantos livros, manuscritos, cartões de felicitações, exercícios do curso de datilografia ou boletim da primeira escola, cartão de vacinação dos filhos, cartas, apostilhas de quando ainda cursava faculdade e até farda de colégio.

Passei a vida guardando fotos cartões de festas, cartas... Assim fica difícil se desvencilhar dessas coisas materiais que me trazem boas recordações. Mesmo morando em outra cidade, há quase três anos, ainda não me atrevi largar a minha residência em Reriutaba. Isso é apego? Acho que não. É ambição ? Também não. É amor! É medo de desapegar dos vizinhos, dos amigos. É segurar o vínculo que me une ao meu torrão natal, aos espaços conquistados.  Está lá a casa... Estão lá os móveis, os quadros na parede, as roupas nos armários e as lembranças de um tempo a cada dia mais distante!
 
Hoje cedo li esta linda mensagem escrita pela mamãe. Não me contive e respondi com lágrimas nos olhos à minha falta de desapego pelo passado. Ainda vou a Reriutaba com muito mais frequência que minhas irmãs. Talvez pela missão de limpar as teias de aranhas pelos cantos, varrer o chão empoeirado e sacodir fronhas das camas de minha velha casa. Talvez para aguar as plantas que continuam verdes ante tanto calor e aridez lá em nosso sitiozinho ao pé-de-serra. Talvez para dar manutenção na piscina que não tem a transparência no tempo em que o papai e seu ajudante Buxexa dela cuidavam com tanto amor para receber-nos em algum final de semana, no carnaval ou na Semana Santa.

Recentemente voltei ao berço e foi assim que encontrei meu quarto. O rangido da porta ao abrir me revelou uma pequena luz refletindo em meu retrato um telefone verde de brinquedo que segurava nos meus cinco anos de idade; no cantinho a marca em itálico da “Aba Film”. O guarda-roupas entreaberto, a cama carente de um bom sono. No hall, velhos retratos de tios que se foram, de fraternas infâncias que se distanciaram, de momentos que teimam em espremer os cantos de nossos olhos e molhar meu rosto.

No SíTioLulu tudo se repete: a varanda relembrando o som do balançar das redes, o deck ouvindo as gargalhadas regadas a copos de cerveja e o som infantil da piscina cheia de crianças e sobrinhos. Hoje, apenas o zumbido de abelhas tentando à borda, beber um pouco daquela clorada água.  

De repente, parece que acordo do passado e vejo tudo tão silencioso, vazio, seco! As poucas plantas que sobraram da severa seca ameniza o desolamento: as Bougainvillea  continuam lá rosadas. O curioso é que até mesmo entre elas há sempre uma parente mais forte que resiste melhor às adversidades da vida, pois ao lado de uma mais rosada e viva, está ali uma mais acinzentada e murcha.

Desço ao leito do riacho; apenas areia e seixos esperando a água que não desce do pé-de-serra. Mas, ao verificar o olho d’água: alegria! Que bom que continua cheio e límpido. E é com essa fonte resistente que ainda mantenho vivo aquele terreno, como assim nomina meu pai.

Volto ao platô e olho os cajueiros. Floraram? sim, floraram!  Mas, poucos foram os cajus que brotaram. Tento colher alguns, mas são poucos. Prefiro deixar para alimentar os pássaros. E, vejam só: como a Natureza é sábia e a Seca também tem seu lado provedor. Os cajueiros deixaram os melhores cajus em suas copas mais altas para que ninguém os colha, somente os pássaros e abelhas deles usufram. Entendi o recado da Natureza e preservei os poucos e altos cajus.

          E assim volto de mais um encontro com o passado, plagiando meu dileto poeta de Alegrete, Mário Quintana: “Quando menos se espera já é meio-dia, já é dezembro e então chegou janeiro novamente e lá se foi grande parte de nossas vidas; vivamos hoje!”

 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Lembranças Póstumas

Lembranças Póstumas III


Tia Terezinha Taumaturgo
Orlando ao lado de Felipe Aguiar acenando e Chico Pinto de camisa marrom 

Hoje é dia daqueles que partiram para a casa do Pai Eterno. Tantos já se foram e, em nome deles, homenageio minha tia Terezinha Taumaturgo que tão recentemente foi ao encontro de Deus, deixando-nos com tantas saudades!
Algumas percorreram longa estrada e, quando as encontramos, já estavam de saída. Outros, ainda nos primeiros passos da vida, passaram para o outro lado.
Lembro-me de tantos. Assim como minha tia-madrinha, a partida de meu compadre, primo e amigo Evandro Filho ainda aviva minhas tristezas e, ao mesmo tempo, a lembrança de sua maneira alegre e veloz de viver. Seu espírito aventureiro pela velocidade segue analogia da partida do Felipe Aguiar onde a velocidade fora substituída pela liberdade extrema de saltar, de viver ao extremo da alegria ou pela defesa intangível da família como foi a motivação da partida do Carlinhos da Tia Antonieta Melo Soares.


Evandro Filho 
Estas atitudes e ações de cunho impulsivo e heróico traem no silêncio e na letargia de nossos ouvidos.
É desta forma que meus finados estão presentes: em suas lembranças, em suas marcas alegres e edificantes neste plano mundano e a Deus peço-lhes paz:
Na honestidade de meus avós José Calixto e Antônio Teófilo;
Antônio Teófilo Rodrigues
 
No amor incondicional de minha tia Terezinha Memória Taumaturgo Lopes;
Na firmeza da Dona Aidan, minha tutora quando jovem estudante;
No respeito e amizade a meus grandes professores Coronel Felizardo de Paula Pessoa Mendes, Coronel Nunes, Major Studart, Julian Hull, Coronel Lomônaco, Coronel Prado e o inesquecível franco professor de português: Parlevu;
Na alegria constante dos primos Felipe Lopes Aguiar, Carlos Melo Soares, Zé Augusto, George Rocha e Evandro Filho;
Na brilhantina e boa apresentação do Seu Juvenal, pai do amigo Paulo Araújo.

Nos sorrisos serenos da Dona Sinhá Taumaturgo, Dona Mariinha Freitas e de Dona Terezinha Furtado, mãe do Luís Júnior;
No trabalho social de Dona Mariinha Sá;
Na irreverência cômica da Dona Antonieta Bôto Cruz e de Dona Artemísia Lemos;
Na simplicidade do Dr Assis Martins;
Na simpatia do Seu Manim, pai do dileto amigo Dr Hermenegildo Farias Filho.
No zelo e amor ao próximo do Gerardim Doido (doidos somos todos nós; o Gerardim era fraterno, tão somente isto!);
Na inteligência de nosso compositor momino Mestre Piru, meu primo e filho do Seu Filemón;
Na cultura de Edmar Bezerra e no empreendedorismo educacional de Edson Bezerra;

Na humilde e honesta lidas de Seu Joaquim Morais em sua padaria e de Seu Zeca Alves em seu armazém;
No profissionalismo do amigo eletricista Tarciso;
Na vida simples e desprendida  de Gerardo Braga e do amigo Bandido (cidadão que tinha todas as qualidades, menos de bandido);
Na amizade e franqueza do Pretim Rodrigues, pai de nosso amigo Raimundo;
Nas rondas de Seu Dionísio, zelando pelo Reriutaba Clube;
No labor de meu primeiro dentista, Dr Osvaldo Lemos;
Na humildade prestável de Yayá Taumaturgo;
Na meiguice e amizade de nossa prima Maria Alice Soares; Dona Nair Paulino, do inesquecível amigo Antenor Paulino e do amigo Abílio César;
Na afeição sincera e silenciosa de Seu Demarzinho, pai de meu grande amigo Zé Aldemar Mesquita;
No profissionalismo incansável e materno estendido pelas mãos santas de Dona Maria Portela que deu as primeiras boas-vindas a muitos conterrâneos;

No trabalho saudoso e prestável de Seu Joca e de Chico Eudes;
Na probidade e cidadania de Seu Nóbrega, nobre coletor;
No orgulho sadio do sincero Zé Mourão;
Na amizade de Seu Otávio Torres, pai de meu amigo Chico Torres. Dele ganhei de presente minha primeira calculadora com display de leds, algo bizarro e ultratech para a época;
Na amizade sincera do "cumpade" de meu pai, Otávio Mororó que se orgulhava de seu filho  Washington, avisando previamente que o mesmo seria médico, mesmo ainda cursando a segunda série do primeiro grau; mostrando destarte sua altivez e amor paterno.
E, quando meu pai o repreendia dizendo:
“_Cumpade quem é este seu filho que vai se formar em Medicina?
Ele logo o retrucava: _“ora, Cumpade Lulu, é o Washington”
_Washington, meu afilhado? Ele ainda faz a 2ª série!
- Ora, cumpade Lulu, você já viu algum médico que não tenha cursado a 2ª série do primeiro grau?”
De Seu Antônio Mororó do Posto, homem probo e trabalhador;
Do "cumpade" do papai, Antônio Mororó, que sonhava um dia ir à Santa Quitéria em estrada asfaltada e achava que isto não vivenciaria (tinha razão!);
Na amizade de Seu Antônio Ximenes e de Seu Salim, sempre presentes em minha casa nos jogos de baralho com meu pai;
De Gerson Bertoldo em sua lida diária, transportando os malotes bancários;

Do Manoel Linhares Pé Sêco, esposo da Aurinha com sua caminhonete pegando os cariocas que chegavam de Horizonte (empresa de ônibus) no Ponto do Françuar;
Na juventude ceifada do divertido Mairton Castro;
Nos acordes do Raimundo Paiva em tardes de sábado no seu alpendre lá na Santa Cruz Velha;
No bom atender em seu bar: saudoso João Abraão;
Na humildade de Seu Manoel Linhares, BolaAeto e Vieirinha;
No alfabetizar incansável da tia Beatriz e de Dona Irene Ximenes;
“É uma satisfação” no sorriso constante do Dodó Passos,
Na amizade familiar dos tios Deusdedit, Sitônio, Osmundo e Ita;

Nas cômicas repentes do padrinho tio Assis Lopes e de Gerardo Nel;
Na folia do Seu Saldanha, tio Assis e do Locha Taumaturgo em dias de carnaval;
Na companhia agradável do amigo Fernando Taumaturgo;


Fernando Taumaturgo

Do primo Marcondes Soares, meu peixe nas tardes de carnaval do Reriutaba Club;
Na beleza de Elice;
Na hilárica franqueza do tio Fernando Taumaturgo, Atibones e Dona Tintinha; 


Tio Fernando Taumaturgo à esquerda
Na firmeza e educação de Seu Zé Edmilson Aguiar;
Na sadia irreverência do Seu Zé Taumaturgo e na paciência de Dona Geny Bezerra;

No respeito e humildade do ourives amigo Laércio;
Na matura amizade do Seu Adjemir Castro;
Nos ensinamentos religiosos do Monsenhor Ataíde Vasconcelos;
Na fé familiar da tia Djanira e na simplicidade do tio Pedro Teodoro;

Na sinceridade do amigo Chico Pinto, defensor da coisa pública e antagonista do neoliberalismo tassista;
Dos motes e ditados do Diassis da Loja com seus chevetes e leruás;
Da alegria do pequeno Manilim e de Luís Filho do Luís Fulô;
Dos versos e irreverência do Zé Aldir do Seu Coquim;
Da central telefônica do Seu Alderico Magalhães;
De seu Tomé Moreira, sentado à tardinha na calçada de minha rua;
Do uniforme claro do honesto e sincero parente Seu Zezé da Dona Lessinha;
Na presteza ímpar do Seu Firmino a quem tenho apreço infinito;

Na gentileza e nos passos de forró do Seu João Vapor;
No carinho infantil do Careta e do Curicaca;
Na serenidade dos seus Chaguinhas (“da loja e do bar”), Dona de Lourdes, Dona Tonha Lucca e Dona Lilioza;
Nos passos guiados de Seu Raimundo Honório e do Seu Antônio Gama que tinha uma reverência enorme a meu pai;
Na ébria alegria do Denizar, Cumbuca, Louro Preto, Zé Miguel e Careca;


Denizar
Nos foles do jovem sanfoneiro Xuxa;
Nos estridentes e fortes gritos do leiloeiro Chico Rosendo nas noites de agosto;
Nos inúmeros pacotes  e malas do Seu Doquinha ao embarcar no trem para Fortaleza;
Na matutice admirável e respeituosa de Chiquim Galvão e Moniquinha em manhãs de feira de sábado, mascando seu fumo e olhando placidamente para os transeuntes;
Na vaidade política do grande prefeito Ivan Rego; na representatividade de Albano Veras e Davi Morais;
 
Ivan Rego  
Enfim, de todos aqueles reriutabenses que deixaram seu legado na alegria, na humildade, no trabalho, na fé e na amizade. Sejam humildes e ora esquecidos, sejam agraciados e ora lembrados.
Sempre haverá um desses reriutabenses ocultos nestas linhas, mas que merecem nosso apreço e  respeito!

Deus os tenha!

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Traga uma cerveja

Traga uma cerveja

Em março de 2013 meu pai sofreu um AVC hemorrágico de tronco encefálico. Após muitas idas e vindas do hospital, muita dúvida sobre seu reestabelecimento, sequências de remédios, fisioterapia, fonoaudiologia e também muita dedicação de minha mãe e de minhas irmãs, hoje tem uma vida razoável, oscilante entre um pouco triste e picos de alegria.

Sua tristeza é intimamente ligada não somente à sua senilidade já presente, mas também por ter-se tornado hemiplégico. Em momentos de outrora passeava pelas calçadas, pelas praças e restaurantes de nossa Reriutaba, conversava com uns poucos e remanescentes amigos de sua época e era cumprimentado por todos.

Hoje seu dia é intercalado por remédios, fisioterapia, refeições leves e por passeios pelos shoppings e praia nos finais de semana. Memória brilhante de momentos antigos, memória opaca de momentos recentes. Lembra-se com clareza de nomes, sobrenomes, causos engraçados de sua juventude, mas às vezes esquece o nome dos filhos. Sabe quem somos, mas dá um repentino branco.

Às vésperas do último dia 05 de setembro, primeiro dia de um final de semana prolongado, pensamos em viajar para nossa cidade. Mas, a logística da viagem, de se arrumar a casa de lá, de se retirar toda poeira, de se arranjar algum cuidador, enfim, de se buscar um conforto, talvez se transformasse em cansaço, risco de gripe ou mesmo de stress para meu pai e também para nós.

Enfim... resolvemos ficar por aqui e intercalar no final de semana um jantar, um almoço em família ou o passeio pela praia.

No sábado resolvi almoçar com meus pais. Avisei minha mãe para aprontá-lo. Coloquei-o no banco da frente e minha mãe sentou-se atrás.

O restaurante escolhido foi o Picanha do Jonas, ali na rua Tibúrcio Cavalcante, até porque ficava bem próximo ao apartamento deles. Sempre costumávamos ir ao Parque Recreio da Rui Barbosa, mas resolvemos inovar.

Estacionei o carro na vaga especial que, graças a Deus, não havia sido ocupada por um desses condutores sadios, mas doentes de educação.

Desci do carro juntamente com minha mãe e fui pegar a cadeira de rodas no bagageiro. Abri a porta do carona onde se encontrava o papai que permanecia de cinto de segurança atado para minha tranquilidade.

Neste ínterim, meu pai destravou o cinto com sua mão esquerda sã e inclinou o corpo como se pudesse descer sozinho do carro. Não deu outra: caiu de testa na calçada, assustando-nos.

Corri ansioso para socorrê-lo, levantei-o e o pus na cadeira de rodas que já se encontrava montada e ao lado do carro. Notei o lado direito de sua testa com escoriações e um pequeno sangramento. Fiquei assustado e perguntei-lhe se sentia tontura, mal-estar.

O papai dizia que estava bem, mas não acreditávamos, tanto pelo acidente quanto pelo seu longo histórico de saúde. Adentramos ao restaurante, acomodei-o à mesa e chamei o garçom. De imediato, trouxe-nos gelo. Logo em seguida, o garçom bem atencioso nos trouxe uma caixa de primeiros socorros com gaze, algodão, álcool e um antibacteriano spray, uma rifocina.

Seu Luiz Lopes, após o tombo

Meu pai, afastava insistentemente minha mão, dizendo que tudo estava bem. Vendo que o susto havia passado, o garçom perguntou-lhe:
- O senhor precisa mais de alguma coisa?

O papai inclinou sua cabeça na direção do garçom, franziu a testa num sorriso quase imperceptível, ergueu seu braço são e disse:
- Traga uma cerveja!!

Foi o bastante para que ele mesmo, minha mãe e eu caíssemos na gargalhada que foi acompanhada pelos que estavam nas mesas à nossa volta.

É, pai! realmente o senhor está bem! E assim foi um ótimo almoço com meus pais naquele final de semana prolongado.


Luiz Lopes Filho, 18 de setembro de 2015

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Escavadeira

Escavadeira

Hoje, conversando com o amigo Lucídio Leitão, lembramos de um de seus episódios que bem retrata como distanciamo-nos da atenção ao próximo.

Quando um amigo, um necessitado ou alguém próximo aproxima-se de nós buscando ajuda, já nos vem à mente que o dinheiro, a ajuda material vai resolver aquele difícil momento.

Relevamos pois o conforto espiritual, a boa conversa, a visita tão esperada e fraterna.

O texto abaixo bem emoldura este sentimento que carregamos no dia-a-dia: a apologia ao material em detrimento do espiritual ou da boa ação intangível e desprovida de cifrão.

Segue pois seu texto:

Durante os dois últimos dias, tenho pensado muito num grande amigo de minha família, no caso o Sr. Vladimir, conhecido no meio das vaquejadas como Escavadeira, devido a sua força e compleição física.
O Escavadeira em muito nos marcou, especialmente a mim, por conta do seu permanente apoio ao meu filho Tiago, quando de suas participações em diversas vaquejadas pelo Brasil afora. O nosso querido Vladimir sempre se mostrou um fiel escudeiro do Tiago. Nas corridas de bois foi seu esteireiro de primeira hora. Meu filho, ao seu lado ganhou muitos prêmios, a exemplo do segundo lugar na vaquejada de Campina Grande/Pb, Parque Ivandro da Cunha Lima, no ano de 2004, embora nessa ocasião lhe tenham tirado o primeiro lugar de maneira sem lisura, levando o Vladimir a enfrentar tudo e a todos para reformar essa situação, o que, lamentavelmente, não aconteceu. Esta é uma outra história que oportunamente poderei contar-lhes um dia.


Foto n° 01 – Campina Grande/PB – Ano 2009.

Saber da sua presença ao lado do “Mago Véi” (Tiago), quando eu ficava impedido de estar presente nas vaquejadas, transmitia-me tranquilidade, já que ele sempre mostrou-se dedicado e servidor ao Tiago, correndo os bois do meu Filho de maneira "ligado total", com interesse, com empenho, com determinação de vencer. Fato ocorrido em diversas ocasiões.

Além dessa dedicação do Escavadeira quando das carreiras do Tiago, ele procurava orientá-lo para o caminho do bem, da retidão, da decência, do servir. Chegava a orientar o Tiago no sentido de que ele se empenhasse em suas atividades universitárias e laborais, àquela época, e ainda que ele nas vaquejadas não se excedesse na bebida e nos forrós, evitando assim o seu esgotamento físico, o que poderia comprometer o seu desempenho como um campeão e afetar a sua imagem como homem de bem, que ele é.


Foto n° 02 – Campeão Campeonato Paraibano – Ano 2008 (Parque Cowboy, João Pessoa/PB).

Assim, dentro desse clima de camaradagem por muitos anos convivemos com o Escavadeira.

No inicio do ano de 2006, talvez em meados de março para abril, percebi a ausência do Vladimir ao lado do Tiago, ou melhor, a ausência do Escavadeira nas vaquejadas, fato que me levou a indagar do Tiago sobre esse distanciamento, suspeitando ser o agente motivador as conversas conduzidas pelo Vladimir com o Tiago no tocante ao seu comportamento nas vaquejadas.

Pior do que essa suspeição foi saber que o real motivo da ausência do Vladimir se referia ao seu estado de saúde, extremamente, fragilizado por ter contraído uma bactéria decorrente de sua atividade de vaqueiro, ou seja, a maioria das pessoas que correm boi chegam a treinar sem luva, procurando evitar arrancar o rabo dos bois, que nesta situação ficam inutilizados para essa prática, mas em consequência provoca ferimentos na mãos dos praticantes da vaquejada, criando assim, uma porta para a entrada de enfermidades, fruto do contato da pessoa com o boi através do rabo do animal, onde ali existe a presença de fezes e outras sujeiras que podem estar contaminadas por alguma doença.

Frente à situação, e por uma questão de gratidão ao meu amigo Escavadeira, que tanto carinho e atenção dedicou, tem dedicado, a todos nós e, de maneira especial ao Tiago, decidi me inteirar melhor do seu estado se saúde, no intuito de contribuir para o seu pronto restabelecimento, contando com o apoio da Vera e do meu cunhado, Dr. Málbio, profissionais dessa área.

Informado pelo Tiago, fiquei sabendo que o Vladimir estava internado no Hospital Baptista, sediado na Av. Padre Antônio Tomás , próximo à Av Virgílio Távora. Decidi visitá-lo na manhã seguinte, e cedo, como costumeiramente eu acordo, estava na porta do Hospital. Devia ser no máximo 6:30h. Ele se encontrava no primeiro andar. Subi as escadas devagarzinho, quase que querendo adiar o nosso encontro, com receio de encontrar o meu Amigo em um estado deplorável. Essa situação se confirmou.

Ao entrar no quarto o encontrei dormindo, e a sua esposa acordada numa cadeira de balanço a pastorá-lo. Ao vê-lo não acreditei se tratar do meu querido Escavadeira. O Homem encontrava-se irreconhecível. A sua esposa de imediato me recepcionou demonstrando enorme satisfação em me ver.

Começamos a conversar baixinho, quase que sussurrando para não acordá-lo, já que ela tinha falado que ele havia passado à noite em claro e só naquela hora foi que tinha conseguido dormir.

Já perto de ir embora, o meu Amigo acordou e aí, se mostrou feliz pela minha visita. De pronto perguntou pelo Tiago. Pelo Tiaguinho, como ele sempre, carinhosamente, tem tratado o meu filho. Falei que ele estava bem, apesar de não mais ter tirado uns prêmios como acontecia com o seu apoio. Ao fazer essa colocação, ele foi às lágrimas. E eu também.

Frente a tudo isto e sabedor de como o Vladimir vivia, fruto dos prêmios em vaquejada e das comissões batendo esteira para outros vaqueiros, incluso aí o meu Filho, e ainda em decorrência dos fretes praticados no seu caminhão Ford-Cargo, já bastante usado, recentemente adquirido por ele, cuja prestação mensal, a preço de hoje estimo que giraria em torno de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), imaginei estar ele passando por uma momentânea dificuldade financeira, já que se encontrava sem trabalhar há quase dois meses.

Daí, antes de me despedir, os indaguei de como estava ás condições deles em casa. A esposa logo se manifestou dizendo que não estava bem. Muito apertado. Tanto em razão da falta de dinheiro como devido não ter com quem deixar os dois filhos menores. Em seguida o Escavadeira colocou que, a sua maior preocupação se dava pelo atraso nas prestações do caminhão. Tinha receio do ex-dono tomá-lo, ou gerar um atrito entre ambos, já que, naquele momento, três prestações estavam vencidas.

Na hora, de maneira incontinente, me coloquei à disposição para ajudá-los a sanar essa situação financeira, e em seguida me aprontei para deixá-los. Ao sair do quarto fiquei pensando no compromisso assumido e mais rápido do que a decisão em ajudá-los me veio o arrependimento. Imaginei que não chegaria no meu carro sem que o telefone tocasse e me fosse solicitado por eles uma quantia em dinheiro.

Cheguei no carro e o telefone nada. De qualquer forma aquele pensamento de arrependido e a certeza da ligação telefônica me pedindo socorro financeiro não me abandonavam. Passou o dia. Chegou à noite. Nenhuma ligação se confirmou. Mais um dia. O arrependimento em servir continuava, mas a suposta ligação telefônica de socorro não aconteceu. Outro dia se passou. E nada!!

Passada uma semana, uns dez dias, devido à falta do certo pedido de socorro, certo por mim, decidi voltar ao hospital motivado, principalmente, pelo fato de não entender o que os levou a não aceitar os meus préstimos colocados quando da minha visita primeira.

Era uma situação conflitante. Queria saber da razão da falta do pedido de ajuda e ao mesmo tempo, visceralmente, preocupado com o possível surgimento do pedido de socorro.

Cheguei no hospital, subi as escadas de acesso ao primeiro andar e me dirigi ao quarto ocupado pelo meu amigo Escavadeira. O receio do imaginário pedido de socorro financeiro foi totalmente ofuscado pela satisfação em vê-lo num estado de franca recuperação.

O Homem estava sorridente. Seus traços físicos já se assemelhavam ao verdadeiro Escavadeira. Ele mais do que eu demonstrou alegria em rever-me. Uma felicidade indescritível até hoje. Ali ressurgia quase que na plenitude o parceiro do Tiago. Fiquei feliz. Ele foi logo me dizendo que o médico o daria alta ainda naquele dia, ou no mais tardar no dia seguinte.

Depois de muita conversa falei que precisava ir embora. Nesse momento me voltou o receio do pedido. Conversamos um pouco mais e essa preocupação não me abandonava.

Fui embora e aliviado me senti por não terem me solicitado nada. Passaram-se os dias e de quando em vez nos falamos por telefone. Foram-se os meses e continuávamos a nos falar apenas por telefone, já que o médico o havia recomendado se afastar das vaquejadas por um longo período.

Chegou o final do ano. Primeira quinzena de Dezembro/2006. Vaquejada do Clube do Vaqueiro. Reinauguração do Clube, adquirido na época pelo Sr. Jonathas Dantas, paraibano de Uiraúna. 

Já naquela ocasião um bem sucedido empresário no Rio de Janeiro/RJ. Uma das maiores vaquejadas do Brasil. A presença de vaqueiros de vários Estados é certa. Um prêmio ganho no Clube é tudo que a vaqueirama deseja. É o topo da pirâmide.

Nessa época estávamos em festa. O nosso sitio, a Tijuma (TIago, JUliana e MAriana), homenagem a meus filhos, estava cheio de amigos e familiares. Todos torcendo pelo Tiago.

Fomos para o Clube do Vaqueiro assistir o Tiago correr. Arquibancadas cheias. Boiada forte e o Tiago inspirado. Bateu a senha. Estava apto à disputa. Fui ao delírio. Gritava. Chorava. Pulava. Jogava meu boné prá cima. Agora era aguardar a disputa e pedir a DEUS inspiração para o Tiago.

De repente, ao olhar para a parte de baixo da arquibancada vejo subindo o meu amigo Escavadeira, acompanhado de sua Esposa e dos dois filhos. Pequeno e Terra quente, como me dirijo a eles até hoje. Segundo ele, estavam na arquibancada oposta a que nos assentamos.

Abraçamo-nos com afeto e alegria. Ele disse que ao chegar no Clube ouviu, por meio do sistema de som ambiente, o nome do Tiago ser chamado para correr ao lado do Renato do Têtê.


Foto n° 03 – Fase classificatória (Tiago ao lado do Renato) – Ano 2006.

Foto n° 04 – Disputa final (Tiago montando Caretinha) – Ano 2006.

Falou-me que, logo imaginou ser ele o parceiro do Tiago naquela corrida. Infelizmente não podia ser. Pediu a DEUS pelo Tiago. Pela sua proteção e sucesso na corrida.

Em seguida, no meio daquela multidão existente na arquibancada pediu a atenção de todos e anunciou, de maneira exagerada, como é típico das pessoas autênticas, que eu havia lhe salvado a vida, quando ele se encontrava doente. Não entendi nada. Afinal de contas não o ajudei financeiramente com nada. Com nenhum centavo. Ele nunca me solicitou qualquer quantia.


Foto n° 05 – Torcedores do Tiago assistindo as suas carreiras de boi – Ano 2006

Veio o mais grave. Ele declarou que, devido a minha presença, uma das poucas pessoas a lhe visitar quando de sua enfermidade, ele teve a certeza que não estava só naquela empreitada de sobrevivência. Era só do que ele precisava. De amparo. De um ombro amigo. De uma fala. Da certeza de um parceiro naquela caminhada.

Nessa ocasião senti-me como se tivesse sido atingido por um violento soco. Me senti um fraco. Como fui me preocupar apenas com o lado material? Com o dinheiro. O meu amigo não estava precisando disso. No fundo ele precisava era de apoio. De saber que tinha amigo. Que podia contar com alguém.

Éééééé!!!!!!!!!!!!!! Imaginamos que as coisas materiais são mais importantes do que as espirituais. Mais importantes do que as ligadas ao coração. Pensei no conto do Rei Midas.

Ainda hoje carrego essa culpa.

De qualquer sorte ficou a lição quanto aos verdadeiros valores da vida e ainda a certeza de que não devemos fazer qualquer tipo de pré-julgamento, bem como, senti, embora não tenha sido o Escavadeira o esteireiro do Tiago naquela vaquejada do Clube do Vaqueiro de 2006, que ele correu, espiritualmente, sempre ao seu lado, razão pelo qual o meu Filho foi um dos campeões naquele evento tão marcante em minha vida, tanto pelas declarações do Vladimir como pelo sucesso do Tiago.


Foto n° 06 - Troféu Grande Campeão conquistado pelo Tiago – Ano 2006.

Diante tudo isso fico a pensar que, por vezes, agimos como crianças, com relação às pessoas que nos cercam.

Chegamos ao ponto de até imaginar que não gostam de nós, que desejam nossa infelicidade, nossa queda.

Embora sendo muito difícil, é importante não estabelecer pré-julgamentos em nenhuma situação, a exemplo do que me ocorreu em relação ao Escavadeira, mesmo que os fatos conspirem a favor.

Nem sempre será possível descobrir os sentimentos dos outros pelas aparências.

Há pessoas que não conseguem exprimir seus sentimentos e dão impressão de frieza ou indiferença.

Por essa razão é que o pré-julgamento é altamente prejudicial.

Assim sendo, se for preciso imaginar os sentimentos dos outros, façamos esforços para imaginar sempre o melhor.

Fica aqui este meu registro.
Um forte abraço em todos(as).
LUCÍDIO LEITÃO.

(Fort. 11/07/2011)